Descendente de portugueses, Bibi Ferreira morou em Lisboa de 1954 a 1959, onde trabalhou no teatro de revista e contracenou com nomes como Antônio Silva, para ela o maior comediante lusitano. Mas vem de sua segunda paixão, a música popular, mais precisamente da voz da cantora Amália Rodrigues, seu grande elo com a pátria-mãe. No espetáculo “Bibi vive Amália Rodrigues”, que inaugurará a casa de eventos Ribalta, na Barra da Tijuca, no dia 1º de junho, a atriz vai, através do repertório de fados, contar a trajetória da grande dama da canção portuguesa.
Fazer a Amália é homenagear, da melhor maneira possível, o povo português. Não me apresento como uma cantora de fado que não sou. Estou aprendendo, estudando. Não é fácil cantar sem o sotaque ficar forçado, explica Bibi.
A ideia para esse espetáculo surgiu a partir de um comentário feito por Amália ao amigo Tiago Torres da Silva.
Ao ver Bibi interpretar Piaf, em Lisboa, Amália me disse que se algum dia alguém fosse interpretar a vida dela este alguém deveria ser Bibi, lembra Tiago, que acabou sendo convidado pela atriz e cantora para assinar a direção e o roteiro do espetáculo.
Amália morreu um dia após a aprovação do projeto.
O desejo de Amália começou a se concretizar em 1998, quando Tiago contou a Bibi essa história. O projeto foi aprovado pela Lei Rouanet em 5 de outubro de 1999. Um dia depois morria Amália.
A Bibi resolveu então que qualquer trabalho feito poderia parecer oportunista. Agora é a hora certa de prestarmos a nossa homenagem, conta Tiago, que convidou o guitarrista português Carlos Gonçalves, que acompanhou Amália por 30 anos, para integrar o time de músicos de Bibi.
Tenho me empenhado bastante para corresponder à minha própria expectativa de acompanhá-lo, diz, com uma certa dose de humildade, Bibi, que confessa ainda tremer “da cabeça aos pés” antes de estrear um show.
E o palco de estreia de Bibi não poderia deixar de ser tão grandioso. Criada para ser uma casa de eventos, como shows, formaturas, jantares de empresas e convenções, tudo na Ribalta atinge grandes dimensões. Localizada na Avenida das Américas, o salão principal comporta até três mil pessoas e tem quatro mil metros quadrados de área útil. A cozinha está preparada para servir um bufê para dois mil convidados. Mas nem tudo é perfeito. Os preços também serão altos. Mesmo incluindo, além do show, jantar e um baile com orquestra, o ingresso mais barato custa R$ 120.
Bibi Ferreira posa em frente à nova casa de espetáculos da Barra da Tijuca: fados para lembrar Amália.
Criamos uma casa cinco estrelas.
Dono do Hospital Rio Mar e de terrenos na Barra e no Recreio dos Bandeirantes, o empresário Pasquale Mauro não revela quanto gastou, mas diz que está realizando um sonho e dando um presente para o Rio com a criação da casa de eventos Ribalta, a ser inaugurada no mês seguinte.
Qual o investimento feito na construção da Ribalta e como o senhor espera ter retorno do dinheiro empregado.
Se eu fosse pensar em quanto gastei e estou gastando nesta casa, eu nem começaria. Este terreno estava ocupado por uma pista de kart e, quando me foi devolvido, resolvi construir a Ribalta. O que posso dizer é que este terreno e o do estacionamento para mil carros que estou construindo custam 20 milhões de dólares. Sinceramente, acho que nunca vou ter retorno.
O senhor diz que a Ribalta não é apenas uma casa de shows. Então para que tipo de evento se destina este espaço.
A Ribalta está preparada para abrigar qualquer tipo de evento. Quando eu digo que não é uma casa apenas de shows, quero afirmar que ela está preparada para oferecer do melhor em qualquer tipo de evento.
Temos um auditório com tradução simultânea para congressos, um palco com 22 metros de boca de cena e camarins de primeiro mundo para os artistas que se apresentarem, uma acústica perfeita e talvez a maior cozinha do Rio de Janeiro para atender a diversos tipos de bufê. Nada será improvisado aqui.
A localização, na Avenida das Américas, cinco quilômetros depois do BarraShopping, não seria um problema para o acesso do público.
Apesar de estarmos aparentemente numa ilha, na verdade estamos em uma região central, entre a Zona Oeste, a Zona Sul e a Zona Norte, cujo acesso ficou mais fácil com a Linha Amarela. O que para alguns é deserto, para mim é uma questão de conforto. Ofereceremos segurança, estacionamento e organização.
Quem pode gastar entre R$ 120 e R$ 160 por uma noite.
Esses preços ainda são promocionais. Não cobrem os custos do que oferecemos. Não é para todo mundo, é claro. A cidade está cheia de hotéis cinco estrelas e nem por isso eles deixam de ficar cheios. Eu diria que criamos uma casa de eventos cinco estrelas.